Ao
partir na Expedição Roncador-Xingu, na década de 1940, os irmãos Orlando,Cláudio e Leonardo Villas Bôas começaram a desvendar uma história
que, apesar de ser brasileira, era desconhecida pela maior parte da população:
a vida nas tribos indígenas. Neste ano, a viagem desbravadora que deu origem ao Parque
Nacional do Xingu (a
maior reserva indígena do mundo) ganhou um filme – Xingu,
de Cao Hamburguer – e uma exposição permanente na Casa Amarela, em São
Paulo. OMuseu
Xingu reúne cerca
de 150 objetos das tribos, fornecidos por Orlando, o mais velho dos irmãos, em
uma mostra gratuita.
"Os irmãos Villas Bôas,
verdadeiros heróis do nosso país, foram a esta expedição para impedir um
massacre e lutaram por um convívio pacífico e de respeito étnico, o que
culminou na primeira terra indígena do país", contou a curadora Maria
Paula de Almeida, em entrevista a Casa
e Jardim. "Hoje, mais de 50 anos depois, esta grande
história começa a ser contada".
“A grande panela Kamulüpe, dos Waurá, é uma das nossas raridades, mas a preferida de Orlando era a Tsak-Tsak, que cozinha a vapor. Ele até pediu que alguns ceramistas paulistas a copiassem, mas a investida foi em vão”, diz Maria Paula. O Museu Xingu reúne artefatos indígenas de vários usos, feitos de materiais naturais, como fibras, madeiras e penas, decoradas com corantes naturais, extraídos de frutos como urucum e jenipapo. Até o ano passado, a coleção ficava no Espaço Cultural Yázigi, mas, para poder ser vista por um público maior, foi transferida para a Casa Amarela em fevereiro. Em um bate-papo, ela contou mais sobre o assunto:
Casa e Jardim – Como você se envolveu com este projeto?
Maria Paula de Almeida – Desde 1987 acompanho a coleção, a princípio como fotógrafa e restauradora. Na comemoração dos 500 anos do Brasil, fizemos um evento na Sala Xingu e um calendário da coleção. Orlando eMarina, sua esposa, estiveram presentes, assim como um afilhado do Xingu, Javariú Kayabi, que lançou um manifesto chamado Índio e Terra não dá para separar. Ele dizia não estar nada contente com a data festiva, mas, ao lado de Orlando, a quem chamava de padrinho, seu coração amolecia e ele sentia carinho e muito respeito.
CJ – Você falou sobre a panela preferida de Orlando Villas Bôas. Há outros objetos com histórias parecidas?
MPA – Temos o precursor do biquíni fio-dental, que era como Orlando chamava o cinto feminino, Uluri. Há também a flauta Jakuí. Considerada sagrada, ela é proibida ao olhar feminino. Segundo os índios, a mulher que a olhar pode ser atacada por qualquer um no mato.
CJ – O que as pessoas não podem deixar de ver no Museu Xingu?
MPA – As panelas são um diferencial desta coleção. A Kamalupe é usada para a tinta de urucum e para o caldo de mandioca. Temos um colar de dente de onça e um de lascas de um caramujo já extinto. A peça é considerada uma joia do Alto Xingu.
“A grande panela Kamulüpe, dos Waurá, é uma das nossas raridades, mas a preferida de Orlando era a Tsak-Tsak, que cozinha a vapor. Ele até pediu que alguns ceramistas paulistas a copiassem, mas a investida foi em vão”, diz Maria Paula. O Museu Xingu reúne artefatos indígenas de vários usos, feitos de materiais naturais, como fibras, madeiras e penas, decoradas com corantes naturais, extraídos de frutos como urucum e jenipapo. Até o ano passado, a coleção ficava no Espaço Cultural Yázigi, mas, para poder ser vista por um público maior, foi transferida para a Casa Amarela em fevereiro. Em um bate-papo, ela contou mais sobre o assunto:
Casa e Jardim – Como você se envolveu com este projeto?
Maria Paula de Almeida – Desde 1987 acompanho a coleção, a princípio como fotógrafa e restauradora. Na comemoração dos 500 anos do Brasil, fizemos um evento na Sala Xingu e um calendário da coleção. Orlando eMarina, sua esposa, estiveram presentes, assim como um afilhado do Xingu, Javariú Kayabi, que lançou um manifesto chamado Índio e Terra não dá para separar. Ele dizia não estar nada contente com a data festiva, mas, ao lado de Orlando, a quem chamava de padrinho, seu coração amolecia e ele sentia carinho e muito respeito.
CJ – Você falou sobre a panela preferida de Orlando Villas Bôas. Há outros objetos com histórias parecidas?
MPA – Temos o precursor do biquíni fio-dental, que era como Orlando chamava o cinto feminino, Uluri. Há também a flauta Jakuí. Considerada sagrada, ela é proibida ao olhar feminino. Segundo os índios, a mulher que a olhar pode ser atacada por qualquer um no mato.
CJ – O que as pessoas não podem deixar de ver no Museu Xingu?
MPA – As panelas são um diferencial desta coleção. A Kamalupe é usada para a tinta de urucum e para o caldo de mandioca. Temos um colar de dente de onça e um de lascas de um caramujo já extinto. A peça é considerada uma joia do Alto Xingu.
Museu Xingu
Casa Amarela
Rua José Maria Lisboa, 838
Jardins – São Paulo/SP
De segunda a sexta, das 14h às 19h
Entrada gratuita
Mais informações: www.casaamarela.art.br
Fonte: globo.com
Casa Amarela
Rua José Maria Lisboa, 838
Jardins – São Paulo/SP
De segunda a sexta, das 14h às 19h
Entrada gratuita
Mais informações: www.casaamarela.art.br
Fonte: globo.com


